O aprendiz e o diabo (repostagem)

Postado em Uncategorized em 17/05/2009 por Mr. Moura

Uma vez, caminhando em uma estrada, acabei por encontrar o diabo em pessoa numa encruzilhada.

Lá estava, Lúcifer, elegantemente vestido em um terno cinza riscado, uma camisa negra bem justa em seu corpo magro, gravata vermelha colocada num nó windsor muito bem feito, sapatos marrons de couro provavelmente de algum animal exótico, chapéu panamá.

Fumava um charuto que parecia soltar um agradável cheiro de casca de cereja, mas em uma segunda impressão era um cheiro insuportável de enxofre com cabelo queimado.

Seu rosto era pálido, magro, com queixo bem definido, sorriso sacana, mesmo enquanto fumava olhando para a paisagem. Seus cabelos bem cortados, negros como seus olhos que se escondiam atrás de uma lente púrpura arredondada de um óculos de armação dourada.

Conforme fui me aproximando, o danado foi me acompanhando com o olhar – assim como fazemos quando vemos um amigo de longa data chegando. De longe percebi que ele estava para tirar algum coelho de alguma cartola e entregar pra mim. Mas fui em frente, já pensando em alguma resposta inteligente.

Chegando lá, ele já me cumprimentou pelo nome, e explicou com clareza quem era. Era ele mesmo, o cara que foi atiçar o Jesus no deserto, que mandou mensageiros a Fausto e Crowley. Era interessante ouvi-lo, era de uma sabedoria mórbida absurda sobre os últimos fatos da minha vida, mas mesmo assim era algo de querer se ouvir. Não havia charlatanismo em suas palavras.

- Tenho uma proposta, para você – disse ele, interrompido apenas por uma longa tragada acompanhada por uma baforada vaporosa, que parecia sair junto com gritos de desespero – Eu posso lhe trazer a mulher da sua vida de volta, entregar toda a fortuna que um homem pode sonhar em ter, o êxito no seu projeto pessoal, fama e sucesso, e posso garantir que posso cumprir, mas com o preço de sua alma ser entregue a mim.

Tendo em vista que essa proposta era um tanto quanto manjada, recolhi toda minha simplicidade e pensei bem sobre o assunto, enquanto ele sorria sobre mim com um ar superior. E se realmente tudo isso fosse alcançável assim, num piscar de olhos? Sem esforço algum, resolveria todos meus problemas ali naquela encruzilhada e só me preocuparia depois quando fosse entregar minha alma.

Então, veio o estalo: Pra que serve uma alma? Pra mim posso até imaginar, algo como passe no Juízo Final, mas num tinha muito certeza. E porque ele está tão afoito por almas? – Puxa! – Era minha chance de passar a perna no serelepe da história humana! Era uma chance única proferindo apenas uma pergunta simples que ele não poderia se negar a responder, já que era tão bom negociante!

E então perguntei – Lúcifer, pra que serve uma alma? Não só pra mim, mas também pra você, do que vai adiantar você ter minha alma, e todas as outras acumuladas pela história?

O sorriso sacana na minha cara até era mais vislumbrante que o do próprio – Venci – eu pensei.

O silencio tomou o lugar por milissegundos infinitos, pelo menos para mim. Pude saborear minha ilusiva vitória o quanto quis, esperando uma resposta. E ela veio

- De fato, amigo – ele disse olhando dentro de meus olhos – você não é burro que nem a maioria dos meus clientes! Sabe exatamente o que quer, e não corre riscos adversos por bens mundanos. Procura o conhecimento antes. Admiro isso.

Por dentro eu não me continha. Se ali houvessem fogos de artifício, eles estariam voando para todos os lados.

- Então, como está fazendo jogo duro, lhe proponho uma proposta melhor – Sorriu vitorioso e tragou de novo o charuto – Tudo aquilo que te prometi antes, mais esse conhecimento sobre a alma que você parece estar desesperado por saber, assim que me prometer entregar sua alma.

E então ali eu estava para ser pego desprevenido.

O sorridente e a megera

Postado em Uncategorized em 15/05/2009 por Mr. Moura

crazy_optical_illusions_oldJá faz um tempo, na virada do século, moravam juntos uma megera e seu sorridente marido bonachão.

Ambos moravam em algum subúrbio de uma capital do país, em uma casa grande, porém modesta. Fresca no verão, aconchegante no inverno. Uma casa alta e com cores frias, com telhado obtuso, como se aguardasse a neve que nunca chegará aos trópicos. A casa estava ali, esmagada entre construções, em uma ladeira ingreme. A casa possuia um ar ébrio e calmo, quase tedioso, com um silencio palpável e corpóreo.

O velho, sempre sorridente, era como qualquer um daqueles velhos sorridentes que todo mundo no bairro conhece, por ser sorridente e que dá bom dia a todos que encontra na rua. Sobrancelhas grossas e brancas, que faziam sombras em seus olhos fundos e profundos, sinceros e confiantes. Barba bem feita, tão branca e bem cortada quanto os cabelos, agora escassos embaixo da boina, que combinavam bem com sua camisa simples embaixo de um colete bem alinhado. Roupas quentes para um verão azul esverdeado.

A megera, por sua vez, a simples menção a seu nome poderia fazer leite coalhar ou crianças quererem entrar em casa. Cabelos negros com não tão raros fios grisalhos, marcas profundas de expressão de alguém que pestanejou a vida toda. Sempre vestida de negro, abandonada a uma falsa viuves que a abraçou desde o primeiro marido. Daquelas carolas da Igreja, que por mais que tenham o joelho calejado e rezas a ponta de língua, jamais teve alguma piedade, fé ou amor cristão no peito. Tudo isso só de olhar para a mesma, pois poucos se atreviam a falar com a mesma. De fato, uma beleza rude, macabra, alta e esbelta, mesmo para sua idade avançada.

Ambos se acolheram para abandonar a viuves e ter a quem recorrer após terem criados seus filhos e enterrado seus cônjuges. Ou melhor dizendo – apenas ele quem pensava assim.

A megera, por começo, talvez pensava em ter para si alguém acolhedor e bondoso como aquele simpático senhor ao lado. Ele era sim daquele tipo de pessoa que queremos como pai, avô ou companheiro de taverna, mas a ranzinza depois de muito pouco tempo, começou a sentir ódio do modo que o homem conduzia sua vida – sem preocupações, medos ou travas, apenas orgulho de uma vida inteira bem vivida.

O homem tinha para si uma botica. Simples, modesta, mas conduzida com carinho e zelo, assim como varias outras de suas coisas. Gostava sim do sustento que seu próprio negócio o trazia mesmo depois da idade, mas gostava mesmo é de atender, de ter contato com as pessoas – as quais este conhecia pelo nome.

Este também gostava muito de animais, e acolhia de tempos em tempos cães novos, mesmo sem raça ou linhagem, apenas por gostar da alegria jovial que apenas estes podem trazer a um senhor de tanta experiência de vida. Pássaros, estes sim, cantando na sóbria casa, de tempos em tempos, mesmo engaiolados, com uma alegria impávida.

A velha, ranzinza, por fim, no auge de seu pessimismo assombroso que a acompanhou a vida toda, se irritou com o modo que o velho conduzia a vida. Talvez por inveja, que um homem tão desleixado com sua vida religiosa já tivesse com toda a certeza garantido sua pós-vida no céu, talvez apenas pelo prazer de trazer tormento a vida de todos a sua volta. Mas, enfim, ela se irritou.

De modos suspeitos, a botica do velho uma noite foi tomada em chamas. Todo o zelo e cuidado que ele havia dedicado a cada metro daquele negócio se tornara cinzas. Queimada até os fundamentos. Talvez uma vida, e não uma vida como que tomamos normalmente, mas uma vida totalmente dedicada, havia sido consumida em labaredas.

Rumores tomaram o bairro, mas o velho não se deixou abater. De algum modo, em pouco tempo, refez tudo que havia perdido em conta de suas economias e em um novo local, atenderia novamente toda a clientela. – Por sorte, ninguém se feriu, Graças a Deus – Dizia o homem sorridente e bonachão, como sempre.

Em silencio, seus animais um a um foram enterrados em seu modesto jardim. Morriam repentinamente, expiravam repentinamente. Mais rumores foram ditos no bairro, mas o velho não se deixava abater – Assim é a vida, Deus dá, Deus toma – dizia. Triste, mas mesmo assim, em pouco tempo estaria sorrindo novamente, mesmo numa casa mais silenciosa e triste.

Por fim, o óbvio se tornou claro: Nada do que poderia ser feito de modos mortais ou impunes o abalaria. A velha, em seu silencio criminoso, mesmo após ter queimado a botica de seu marido ou envenenado cada um dos seus insuportaveis sacos-de-pulga e passarinhos inúteis do velho, ainda não tinha abalado ele.

No cúmulo de seu delírio, procurou em um acampamento cigano alguém que a ajudasse a cometer um crime maior, algo o suficiente para tirar aquele sorriso idiota de seu marido. Escurrassada a paus e pedras por tal pensamento infame, ela se encontrou, ferida – física e psicologicamente – em uma encruzilhada.

Apenas com as moedas que havia carregado na bolsa – para pagar os ciganos caso aceitassem a proposta – amaldiçoou tão profundamente, usando palavras tão fortes – fortes o suficiente para não caberem na boca de uma velha da idade que carregava – que fez surgir no horizonte mais do que depressa algo que não era deste mundo.

Um homem, de pele vermelha, bigode fino, terno branco riscado, cabelos bem cortados guardados dentro de um panamá creme, fumando um charuto e sorrindo uma boca a qual só de cruzar olhares parecia deixar algo faltando. Um olhar malandro de olhos claros – Isso você perceberia caso tivesse coragem de trocar olhares com o mesmo.

Mas a velha, tão malévola quanto a própria figura, cruzou olhares com ele. Talvez ali pudesse haver uma guerra de egos infindável, mas isso só tomou alguns segundos, ambos se encaravam profundamente, até que o homem, com uma expressão séria, cortou o silencio:

- Odeio pessoas assim – foi dizendo segurando seu charuto – Velhos bonachões e sorridentes, que não se abalam em desgraças – tragou o charuto e soprou uma fumaça vaporosa, com cheiro de enxofre – Velhos Jós, que parecem tomar para si a alegria destinada a mim ou a você, sem nem mesmo entenderem direito como o faz. Odeio pessoas assim.

A megera olhou horrorizada à figura, mas logo sorriu quando estas palavras tocaram seu coração seco.

- Me leve a casa de vocês. Amanhã aparecerei, observarei teu marido de perto, por uma tarde, e então, de noite, quando todos estiverem dormindo, levarei dele a coisa que mais puder lhe abalar, e tirarei a alegria imbecil que este carrega. Eu sei o que pode ser esta coisa, mas quero olhar de perto, e ter certeza que levando el eu o atingirei. – tragando o charuto e deixando as cinzas cairem, continuou – este é o único mal que posso realizar.

Sorrindo, a mulher prontamente aceitou. A figura continuou – recusou os óbulos em sua bolsa, pois este serviço, ele queria fazer de graça.

Voltando para a velha casa, a velha dormiu sorrindo, sentindo-se vingada.

Prontamente, lá pelo meio da tarde, momentos antes da nova botica do velho fechar as portas para o recesso, a figura apareceu. Talvez fosse a única alma acolhida pela velha em anos em sua casa, mas foi recebido como um velho amigo, com um jantar e cama pronta para pernoitar. Momentos depois, o senhor dos sorrisos chegaria em seu lar. Mesmo tendo arrepios ao ver a figura, o acolheu, e pouco tempo depois, conversava como o mesmo, rindo alto como quem conversava com um amigo de longa data.

Tomando do melhor conhaque do velho, a figura sorria cinicamente, não para o sorridente senhor, mas para a situação. Olhava cada detalhe da casa, desde os pequenos animais, até as decorações, ou o brilho bruxuleantes das lamparinas da casa.

Pouco tempo depois, o velho convidou seu estranho hóspede a se retirar para o quarto arrumado para o mesmo, pois estava cansado e o outro dia seria longo, como todos os outros. Sorrindo, este aceitou e falou para a velha que agora tinha certeza. Muito sorridente, a velha levou o hóspede para o quarto e foi se deitar próxima ao marido.

Ao passar do meio da noite, a figura foi embora da casa levando a única coisa que poderia abalar o velho – Sua esposa querida, que por mais que fosse obviamente de má-índole, que claramente havia matado cada um de seus cães e queimado seu querido negócio, era a mulher que este havia decidido cuidar e dedicar uma vida de amor, na esperança dela ter uma velhice calma e mais caridosa, o tomando como exemplo, levando uma vida menos amarga e talvez, se existisse um pós-vida mesmo, ter uma vaga garantida pelo menos no purgatório – e não no inferno, tal qual a mesma foi arrastada para alguns æons de tortura e sofrimento, por ter aceitado um pacto com o próprio diabo.

Mr. Moura vs a Rainha Alien

Postado em Uncategorized com as tags , , , , em 06/05/2009 por Mr. Moura

Não vai fazer muito tempo, lá estava eu pegando uma nave, cabisbaixo e deprimido, porém feliz de estar voltando pra meu planeta.

Até pensei em viver naquele planeta estranho. De cara, ele é lindo, frio, aconchegante. Dai chega o dia, o sol parece que vai destruir cada vestígio de vida que há na superfície.

Que visão caótica, não? Mas pior mesmo são os aliens que habitam aquele planeta. Azuis, altos, sempre com suas armas de raios bizarros em punho. Alguns, obviamente, não fazem parte desta casta, que apesar de eu poder garantir que não é a maioria, é a que se faz mais presente.

Se não fosse a fala estranha e os olhos laser, poderia garantir até que alguns são desse meu planeta aqui! Um deles realmente foi deste meu planeta, e ficou disfarçado aqui meses, praticamente um conterrâneo.

Mas o ser mais estranho foi um desses aliens que fui visitar como principal objetivo. De primeira vista, só enxerguei uma beleza exótica, algo como jamais havia visto. Então, lentamente, a visão se tornou um tanto negra: Os seus cabelos, não muito longos, se tornaram serpentes, sua língua quente e aveludada, bifurcada e suas unhas roseadas, garras negras.

Até mesmo o seu olhar sereno havia se tornado algo como um vórtice. Havia um misto de medo e encanto mesmo por aquela insensatez, pois ainda meu objetivo era extrair o melhor das pessoas a minha volta, não o meu. Tentei, nas outras semanas, fazer a tal Rainha Alien voltar a sua forma original. Aliás, tentei de certo modo até depois que peguei a espaço-nave de volta, mas o que eu demorei pra perceber que aquilo que me encantou de fato era o disfarce: Fui vítima de uma caça predatória que precisava de algo de mim, não corpo, não sangue, nem mesmo faço idéia, mas ela conseguiu, e eu posso ter perdido isso para sempre.

O mais interessante, é que conforme via ela no horizonte, crescendo, eu percebia que já havia sonhado — ou melhor dizendo, tendo pesadelos terríveis — com aquele Megathérion. Enquanto aprendiz de herói, lutei com alguns monstros assim.

Lembro-me bem do primeiro, um ser pequeno e peludo, branco e com toque de veludo, que na verdade era um perigoso parasita: não o destruí, mas ele achou outro hospedeiro, que de fato é tão parasitoso quanto este ser.

O segundo, uma Banshee. Bela, ruiva, de olhar vazio, esta quase me matou, mas houve forças para lutar e fugir. Ela continua assombrando o local, pois não há o que ser feito com algo que já está morto.

Estes dois são os principais antes, mas há de se denotar outros parasitas, outros lagartos, seres de morte e anjos caídos, que acabei enfrentando. Mas aquilo que havia naquele planeta era com certeza a megabesta que meu sub-consciente me avisava.

Ao perceber o ingrato caminho que o do herói escoteiro e padronizado era, resolvi repensar tudo isso: Porque eu ia de encontro a essas coisas? Eu atraio tudo isso? Eu quem transformava seres bons em bestas demoníacas?

Ainda bem que esta mentalidade logo foi água abaixo — Eu apenas estava mexendo com aliens e monstros, não iria achar nada da minha espécie assim, mesmo.

Quem é o anti-herói?

Postado em Uncategorized com as tags , , , em 09/04/2009 por Mr. Moura

spawnEsses dias, uma amiga perguntando sobre meu blog, acabou perguntando se o anti-herói é próximo do vilão.

Nada mais longe da verdade, querida. Ou não.

Para entender o anti-herói, primeiro cito a vocês o herói, segundo Ye Olde Wikipædia:

Herói é uma figura arquetípica que reúne em si os atributos necessários para superar de forma excepcional um determinado problema de dimensão épica. Do grego ‘hrvV, pelo latim heros, o termo herói designa originalmente o protagonista de uma obra narrativa ou dramática. Para os Gregos, o herói situa-se na posição intermédia entre os deuses e os homens, sendo, em geral filho de um deus e uma mortal (Hércules, Perseu), ou vice-versa (Aquiles). Portanto, o herói tem dimensão semi-divina.

Variando consoante as épocas, as correntes estético-literárias, os géneros e subgéneros, o herói é marcado por uma projecção ambígua: por um lado, representa a condição humana, na sua complexidade psicológica, social e ética; por outro, transcende a mesma condição, na medida em que representa facetas e virtudes que o homem comum não consegue mas gostaria de atingir – fé, coragem, força de vontade, determinação, paciência, etc.

(…)

O herói será tipicamente guiado por ideais nobres e altruístas – liberdade, fraternidade, sacrifício, coragem, justiça, moral, paz. Eventualmente buscará objetivos supostamente egoístas (vingança, por exemplo); no entanto, suas motivações serão sempre moralmente justas ou eticamente aprováveis, mesmo que ilícitas. Aqui é preciso observar que o heroísmo caracteriza-se principalmente por ser um ato moral.

Apesar de ser uma boa fonte para começarmos a pesquisar, a Wikipédia nunca jamais vai te dar uma boa referencia geral. Principalmente a em português, que anda tão fraquinha, coitada…

O anti-herói não representa todos os fatores que levam o herói a ser o herói: Altruísta, paciente, que brada incessantemente sobre sua causa nobre como guia e justificativa para matanças.

Não gosto dessa imagens, heróis fedem a isso, falsidade ou derrotismo.

Então, agora foi explicado o que é um herói, e eu estava tentando chegar ao ponto do que ele não é – um anti-herói.

Anti-herói caracterizava-se como um vilão moralmente justificável – Coisa que acabou caindo em desuso e sendo mais certo de ser chamado de anti-vilão, tal qual Benjamin Linus do Lost, que no fim parece estar mais certos que até os próprios protagonistas.

De fato, um anti-herói é um herói sem a moral, sem os bons costumes, sem o altruísmo. Já bati nesta tecla o suficiente.

Um bom exemplo de anti-herói é o Spawn. Al Simmons, um soldado mercenário que, após morrer sob traição, aceitou vender sua alma a Malebolgia, lorde do oitavo circulo do inferno, apenas por que queria ver sua mulher novamente e se vingar de seu assassino/patrão.

No final, após se dar conta do que havia sido feito, Al acaba quebrando vínculos com o inferno e seus demônios, realizando de tempos em tempos um ato de heroísmo, não porque luta por uma causa justa ou porque isto faz parte de sua honra e jura – mas sim porque isto é o certo a se fazer.

Outro ótimo exemplo da espécie está no hype: Wolverine. Dono de características nada louváveis, um homem sem lembranças do passado, porém com uma sabedoria que poderia o fazer velho como o mundo, busca saber quem é, e assim que descobre o que foi feito a ele, busca a vingança e a destruição de seus experimentistas e carrascos, para que não aconteça de novo a ninguém.

Apesar de lutar por uma causa maior, lotada de heróis no sentido origial da palavra, Wolverine sempre faz do teu modo, frequentemente abandonando essa luta – quando ela perde o sentido – para completar seus objetivos.

E então, Logan, sentado na relva, segundos após abater um animal e coloca-lo sobre brasas, sai resmungando “E então, lá vou eu perder meu desjejum mais uma vez” ao ouvir os gritos suplicantes de socorro vindo de além do horizonte.

É uma visão meio romântica, mas é possível sintetizar a mesma em menos palavras: “Não é porque prezo mais minha bunda que sua causa que vou tirar ela da reta

Compreendido?

A vida é um jogo… de baseball!

Postado em Uncategorized em 08/04/2009 por Mr. Moura

strikeoneSou um bom jogador. Não sou bom estrategista, mas me orgulho de ser tremendamente sortudo.

Não é algo que aprendi, não é algo que conquistei, mas ajuda muito na vida. Gosto de analogias de vida com jogos, principalmente os de azar.

Mas, para viver, exige-se técnica, treino, graça e condicionamento físico e mental. É um jogo mais de equipe, mesmo sendo no fim, um tanto individual, de astros, apoiadas pelos seus companheiros.

A vida é assim, um jogo de baseball.

Nunca me interessei muito por baseball, é um jogo de bundas-brancas americanos, que sentam para ver dezoito caras correndo em círculos atrás (ou de) uma bola.

Olhando por esse ângulo, é muito imbecil, mas acabei me interessando assistindo o mundial na ESPN. É um jogo um tanto interessante.

As regras do jogo não são nada simples. Dependendo de como, quando e em que tentativa você acerta, é uma pontuação, o quanto você corre nas bases, também, o quão longe ou perto rebate a bola, e assim vai.

Nem mesmo a equipe técnica sabe direito o quanto vale cada jogada, no fim, param de se preocupar em pontuar e sim em jogar direito. Quem joga melhor, ganha, afinal.

Errar pode não ser o fim, e acertar não é vencer. Três tentativas falhas, três bolas fora significam o banco e o fim para ti neste tempo. É complicado, uma tensão absoluta do batedor. Vai entender o que se passa naquelas cabeças com capacete na hora.

A boa tacada pode ser estratégica, poderosa, safada, tanto faz. Seu estilo, neste jogo, pode ser muito bem aproveitado em qualquer time, afinal, de certo modo, enquanto ataca e corre, seu time é um tanto individual, ele é fraco e forte dependendo do jogador ali presente.

Acertar também não é tudo. Um ótimo batedor e corredor pode ser parado e queimado a qualquer momento por alguém mais atento. Pode estar na mão daquele que enxerga melhor, correr atrás de você com a bola e pronto, você está no banco de novo.

Uma volta perfeita no campo, pontua. E pontua muito. Mas, vencer não significa chegar no fim, mas sim no começo. Voltar a home, a primeira base, que na visão de quem chega da terceira base, é a quarta também.

E então, trocam-se os times, e ai sim, o quesito equipe monta-se de novo.

Você deve defender o máximo a integridade, não deixar o batedor adversário tomar a bola que você lança ao seu parceiro, e caso ele faça isso, deve-se recuperar o quanto antes, e parar o corredor que conseguiu ser mais esperto que você.

E agora não é só você, é você e oito outros guerreiros dispostos a queimar o progresso alheio, e isso também acaba se pontuando.

Você deve ser os olhos e os ouvidos conjuntos da sua equipe, é tudo que você deve para eles.

E então, novamente você se torna o batedor, o que ataca, o que quer correr, o que quer chegar logo a home e sentar de novo no banco.

Só se vence em círculos no baseball, sabendo a hora de jogar sozinho e a hora de jogar em equipe.

A Sociedade em uma casca de noz

Postado em Uncategorized em 02/04/2009 por Mr. Moura

berlin De um certo modo, nossa sociedade é simples de se entender.

Pessoas mais velhas se espelham nos mais novos, esperando se sentirem vivos, enquanto as mais novas se espelham nas mais velhas atrás de sabedoria e lições de vida.

Ou não tão simples.

No fim, todos são mesquinhos. Os velhos esperam de todo o modo que o mundo não mude enquanto estiverem por aqui, e os jovens querem seu mundo do modo louco e inconsequente agora, sem nem ao menos ter experimentado o que foi dito para ter certeza que está de todo errado.

De certo modo, tudo parece mais errado do que realmente é, para ambos os lados. Uma luta infindavel é travada, terminando no fim de uma vida, um velho amargurado falando sentado ao sol aquela velha máxima – “No meu tempo não era assim!”

Era sim, não há por que mentir. A política do fazer o que é dito e não o que é feito já está tão corroída nas bases.

E no fim, depois de anos, estou começando a pender para o lado dos que se corromperam ao pensamento do “no meu tempo…”, pois não aguento mais o modo que as coisas se tornaram.

Ao mesmo tempo, sinto um ódio profundo ao modo que as coisas ssão antiquadas ainda também. É como querer malhar ferro frio.

No meio do mundo, aqui estou.

E então, cada vez se prova, que ser moderado, e ter a cabeça no lugar, é o modo mais certo de ser radical. Lutar pelo ponto de vista, sem seguir a tendência X ou a tendência Boom, é ser a tendência Y.

Abram seus olhos, meu protesto, em base, não é político, mas serve para o todo. Abram seus olhos e extraiam de tudo isso o melhor. Parem de ser hipócritas, idiotas, malditos e baixos.

Tenham modos, tenham caráter, filhos das putas.

Um anti-herói

Postado em Uncategorized com as tags , em 01/04/2009 por Mr. Moura

Porque anti-herói?

Parece que é o destino do mundo. Suas convicções e lemas se tornam maleáveis após um tempo.

Não significa que seu caráter possa mudar repentinamente. Não, longe disso.

Poder, até pode. Não deve.

Mas a sobrevivência fala mais alto. Não somos nem podemos ser benevolentes e heróicos a tudo. Quem fala demais dá bom-dia a cavalo, como dizia minha avó.

Porém, ainda temos um ou outro super-poder guardado. Parafraseando a passagem do cinema mais chacoteada dos últimos tempos – Grandes poderes trazem grandes responsabilidades.

Mas é um fato, ainda somos únicos, singulares, tentado sobreviver à aqueles que parecem querer abusar da sua boa fé, lucrar em cima da inocência ou do bom-samaritanismo alheio. As pessoas, por algum motivo idiota e singular, querem te ferir.

Ignorância, avareza, inveja, egoísmo, ou as vezes até, o simples fato de simplesmente você não fazer a diferença.

Enfim, ser herói é um caminho desgraçado, podre, irreal. Viver parar salvar todos sem saber a quem e sem olhar o que essas pessoas esperam de você, é um lixo.

Cansei. Não sou mais seu herói vestido de roupa colorida esperando para te salvar do seu próprio egoísmo. Isso não significa que mudei meu caráter.

Simplesmente estou dizendo um basta, não é porque essa minha tendência suicida de salvar os outros aflora de tempos em tempos não vai mais me cegar e me fazer esquecer se você apontou três dedos julgadores na sua própria cara.

Se tu quiser morrer, estou disposto a te dar um atalho.